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Estatuto da Igualdade Racial em discussão
A Câmara
deve votar, no esforço concentrado previsto para a próxima semana,
o Estatuto da Igualdade Racial, de autoria do senador Paulo Paim
(PT-RS). “No projeto, tratamos desde a terra dos remanescentes dos
quilombolas, passando por política para saúde, educação, habitação,
emprego, chegando até a questão dos investimentos públicos para
políticas reparatórias, compensatórias, políticas
afirmativas.”, disse o senador.
O
Projeto de Lei 6912/02, do senador, cria uma cota mínima de 20%
para o acesso de afro-descendentes a cargos públicos, às
universidades e aos contratos do Fundo de Financiamento ao Estudante
do Ensino Superior (Fies). Pela proposta, os partidos políticos
também deverão criar estímulos à candidatura de
afro-descendentes a cargos eletivos, para garantir a essa parcela da
população grau de representatividade proporcional à realidade étnica
da sociedade brasileira.
O
projeto prevê ainda promoção de campanhas educativas, pelo Poder
Público, destinadas a valorizar a cultura afro-brasileira e a
sensibilizar a população para a causa da igualdade racial. Ao
mesmo tempo, os livros didáticos passarão por uma reavaliação
que exclua toda e qualquer referência provocada pelo preconceito de
raça, cor ou etnia.
Já
as universidades públicas e privadas deverão implantar mecanismos
para auxiliar o progresso acadêmico dos estudantes beneficiados
pela cota que apresentem fraco desempenho. Com a medida, pretende-se
garantir que eles não só ingressem no ensino superior, mas também
concluam os respectivos cursos.
“Esse
é o projeto mais importante para a comunidade negra desde 1500.
Esse projeto pela sua inserção na comunidade negra e pela abrangência
de seus artigos tem mais peso do que qualquer lei já aprovada no
Brasil até hoje”, disse o senador petista.
Um
dos pontos polêmicos do Estatuto é o Fundo Nacional de Promoção
da Igualdade Racial que prevê a destinação de recursos para políticas
previstas no Estatuto. Para o senador, o Fundo Nacional é muito
importante porque ali estarão as verbas para a implantação das
políticas para a comunidade negra.
A
ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria da Promoção de Políticas
da Igualdade Racial, também defende a previsão de verbas orçamentárias.
"É importante uma definição de como se aplicam
financeiramente os recursos. O Fundo é uma das formas, não é a única.
Não há política sem a destinação de verbas de orçamento",
afirma.
(Fonte:
www.pt.org.br)
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